-espaço-tempo-vestimenta para repensar gênero e tecnologia
Nós, mulheres de coletivos de auto-defesa feminista do Brasil (Wendo), manifestamos publicamente nossa solidariedade e apoio à luta de resistência hondurenha, assim como nosso repúdio: ao golpe militar instaurado no último 28 de junho; ao governo ilegítimo de Micheletti e à cumplicidade e co-autoria ridícula do governo dos estados unidos.
Sabemos que o governo de Barack Obama, apesar dos discursos pro-democráticos, tem mantido uma linha de continuidade preocupante com as políticas intervencionistas ilegítimas extremamente arrogantes,
historicamente desastrosas na América Central e do Sul. Não é preciso citar massacres e ditaduras militares que estão vivos em nossa memória coletiva revolucionária. Tais políticas, que incluem o fornecimentos de
arsenal e treinamento militares, possuem o objetivo evidente de conter (para não dizer dizimar, afinal, esse é um documento diplomático) movimentos populares que buscam autonomia, liberdade e justiça social. Também sabemos que os estados unidos sistematicamente tem
apoiado a instauração de regimes elitistas e oligárquicos
obedientes às suas ordens porque, em realidade, temem uma aliança latinoamericana e caribeña que conteste seu poder de império. A mensagem que está sendo transmitida por muitas vozes em muitas partes de várias maneiras diz que ditaduras desse tipo (neoliberais, protestantes e militares, sobretudo) não serão mais toleradas!
Nós manifestamos, pois - em consonância com as exigências dos movimentos populares, em particular, das Feministas en Resistencia - pelo fim das perseguições políticas das pessoas, ativistas e grupos contrárixs
ao golpe; pela restituição imediata do governo de Zelaya e realização do plebiscito sobre a possibilidade de realização de uma Assembléia Nacional Constituinte; pela não-intromissão (e desintrusão) do governo gringo nos
assuntos e territórios de todos os países que compõem a América Latina e, finalmente, pela livre e auto-determinação dos povos da América Latina,
fim do imperialismo externo (gringo) e interno (das elites econômicas marionetes conservadoras).
Entendemos ainda que a gesto de qualquer território deve ser imaginada e praticada por aquelas pessoas que vivem ali e tem uma relação afetiva, cuidado e de subsistência com dito território e que interesses capitalistas, militares, neoliberais, especulativos, catequistas nunca
foram, não são e nunca serão bem-vindos e não passarão!
WENDO - auto-defesa feminista
Coletivas do DF, Salvador, Teimosia/PB e Natal/RN, Brasil.
BRASIL, 01 DE AGOSTO DE 2009.