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es la invasión de las invadidas

Prostituição e Associação de Profissionais do Sexo em Campinas

Submitted by leticia on Qui, 27/09/2007 - 12:57.

Foi fundada na semana passada, dia 19 de setembro, a Associação Mulheres Guerreiras, uma associação de profissionais do sexo, na cidade de Campinas-SP. Alguns dos objetivos desta entidade é lutar por respeito e contra o preconceito e discriminação, denunciar a violência e investir na prevenção e no direito à cidadania e na elevação da auto-estima das prostitutas. Denise Martins, travesti e uma das coordenadoras da associação (que também faz parte da coordenadoria de travestis do Grupo Identidade), afirmou que a formalização de uma associação "visa auxiliar mulheres, homens e travestis profissionais do sexo, tanto na prevenção à Aids, como na luta por melhores condições de vida e por políticas públicas específicas”. Me causou certo estranhamento o fato de haver notícias sobre a fundação publicadas, tanto na mídia mais formal e conservadora da cidade de Campinas como no site do CMI.

Todas as notícias publicadas ressaltaram a parceira com o Programa de DST-AIDS de Campinas e com um programa de extensão da Unicamp - a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-UNICAMP). Talvez as parcerias e apoios dêem respaldo e um ar de respeito, por isso a "tranquila" visibilidade à notícia. Obviamente que as mulheres da associação também entendem como importante esta compreensão senso comum de publicidade do ato. As parcerias foram importantes para o processo não somente de oficialização - que trouxe visibilidade para a questão. Mas o essencial foi a construção da intenção de uma ação coletiva entre mulheres desconfiadas, estigmatizadas, violentadas, mães, guerreiras, amantes, putas. Estas mulheres tomaram para si o processo de auto-organização, de identidade coletiva...a coragem que tomaram para se expor deveria ser a grande matéria destas notícias.
E por que a necessidade de se organizarem, pensarem e agirem coletivamente? Porque são normalmente tratadas como escória, como se não tivessem direito algum e coletivamente podem se proteger melhor e se sentirem como "guerreiras". Para a maioria de grupos feministas é comum agir coletivamente em grupos de ação política, sem a necessidade de institucionalizar uma "associação". No entanto, para um grupo de mulheres prostitutas, cuja profissão foi reconhecida no Brasil apenas em 2003, oficializar sua associação é uma bela de uma provocação!

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