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Meu nome é Fabianne Balvedi, mas muit*s me conhecem apenas como fabs. Nasci em 1971 em Curitiba, Paraná, mas cresci até os 15 anos em Joaçaba, interior de Santa Catarina. Sou uma mulher que começou a brincar com computadores aos 13 anos de idade. Até estudei programação (basic) com uma ótima professora, com quem aprendi de cara o significado de elegância na escrita de um código. Pena que na época ainda desenhava compulsivamente e só queria saber de fazer ASCII Art. Essa paixão pelo desenho (que trago comigo desde que consegui segurar uma caneta na mão) resultou numa queda sem volta pela computação gráfica, na qual consegui tornar-me especialista aplicada depois de pastar muito num curso de arquitetura onde os professores ainda abominavam qualquer coisa que usasse tecnologia digital como intermerdiária, fosse no processo criativo ou aplicada a um simples exercício.

Usar o computador para expressar-me artisticamente é um de seus maiores prazeres, e por isso fiz vários cursos na área de cinema e pós-produção. Cheguei até a fazer um curta de animação 3D baseado na Metamorfose de Kafka, mas como ainda é muito difícil sobreviver de atividades cinematográficas não-publicitárias no Brasil, aproveitei a cadeira pedagógica de minha pós para lecionar no ensino superior.

Em 2001 um amigo me chamou para fazer um curso de Linux me avisando que um dia eu iria usar este sistema, e me explicou o que era software livre. Ele foi providencial, pois logo em seguida fui convidada a dar aulas na ESEEI, faculdade de Curitiba que só trabalha com Linux. E foi a partir daí que começaram minhas aventuras no mundo livre.

Durante três anos e meio ministrei aulas de tecnologia digital com software livre nos cursos de Comunicação Social da faculdade, tendo de ter muito jogo de cintura para acalmar os alunos que não entendiam a importância da cultura livre e reclamavam constantemente da instabilidade e falta de mercado das ferramentas multimídia utilizadas nos laboratórios.

No início do meu segundo ano na ESEEI, segundo semestre de 2002, a empresa que produzia o principal software com o qual eu trabalhava, o Blender (única ferramenta 3D com interface para Linux naquela época), faliu. Soube disso no meio de uma de minhas aulas, quando pedi aos alunos que acessassem o site do dito cujo: "professora, o site tá diferente, não tem mais nada, só um aviso". Este aviso alertava que o futuro do software era incerto, e causou alvoroço na comunidade, e claro, entre meus alunos. O código do Blender sendo proprietário, não tinha como continuar sendo desenvolvido independente da empresa que possuia os direitos sobre ele. Mas o Ton Roosendaal, mastercoder do software, teve a excelente idéia de criar a Blender Foundation e fazer uma chamada geral à comunidade para que ela comprasse os direitos sobre o código e o liberasse através da GPL. Em tempo recorde (três semanas!), os 100.000 euros necessários para a liberação foram coletados, ensinando-nos uma lição sobre redes e solidariedade que nunca mais irei esquecer. Foi quando meu lado ativista começou finalmente a despertar...

No final do segundo ano, quebrei meu calcanhar na queda de uma escalada em boulder sem crashpad (vacilo total!), o que me obrigou a uma certa imobilidade forçada. Mas não quis parar de dar aula, ia pra faculdade de muleta mesmo, experimentando na pele o que é pegar um ônibus com algum tipo de deficiência (mas ainda bem que eu moro em Curitiba...). Como dava aulas pela manhã e também à noite, ficava na facul direto. E foi durante os três meses que tive meu pé engessado que comecei a interagir mais na rede. E inspirada por tudo que (re)descobri no mundo virtual, finalmente me cocei pra elaborar um projeto para pesquisa, produção e experimentação em mídias livres que pudesse ajudar a suprir a demanda de aprimoramento tão necessária a esta área. E assim nasceu a idéia do Estúdio Livre, inicialmente abraçada pelo Projeto Software Livre Paraná.

Durante a elaboração do projeto, tive de surfar bastante na rede em busca de informações sobre onde poderia conseguir mais apoio. Foi nesta época que descobri, através de um boletim do Cultura e Mercado, a existência do projeto dos Pontos de Cultura do MinC. Como percebi que a busca daquele projeto era muito parecida com a minha, ofereci ajuda e passei a participar das discussões do grupo dos articuladores da cultura digital. Nesta lista, acabei por descobrir outras redes, outras pessoas, outros projetos, mas todos com buscas muito parecidas. Coisas do inconsciente coletivo, fiquei encantada.

No início de 2005 acabei sendo chamada para fazer parte da equipe de implantação dos kits multimídia dos Pontos de Cultura em Brasília. E foi durante minhas ações dentro deste projeto que finalmente entendi o grau de minha passividade em relação à questão de gênero. Ao me envolver com pessoas com uma visão bem mais politizada e aberta ao mesmo tempo que com outras de preconceito escancarado, não tive mais como esconder de mim mesma a verdadeira dimensão que o fato de eu ser mulher exercia sobre minha interatividade social.

Por isso hoje estou aqui, neste espaço-tempo-vestimenta, tentando (me) ajudar neste entendimento tão simples e ao mesmo tempo tão complexo, assumindo ser uma feminista midiativista enquanto tiver fôlego para tanto.

É, acho que tenho de voltar rápido a nadar, hehehehehe...

Update em 28/01/2008

Após um grave acidente de ônibus em outubro de 2007, iniciei minha metamorfose ciborgue: coloquei um pino no joelho... :o)

|| contato ||

f4bs @irc.freenode.org #blender #piksel
fabs @irc.indymedia.org #estudiolivre #g2g

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