Lorrane, e não Lorane, como eu já havia postado.
Ela nasceu ontem, dia 12 de maio, às 2 hs A.M. Seus vários cabelinhos pretos e lisos, seus olhinhos fechados...todo um caminho que percorrerá até crescer.
Eu e Danielle agradecemos todas as mensagens enviadas por email, por celular, por direct. Não foi uma ou duas, mas sim várias. Pessoas que nunca a coheceram pessoalmente, mas por algum motivo foram impactadas.
Passei toda a tarde com elas, em um quarto amplo, com mais 6 mães. A maioria delas bem humilde, sem roupas de frio, apenas com a camisola do hospital. Foi uma das situações mais marcantes que eu passei na vida.
Diferente dos Conjuntinhos Disney, as crianças recebem o kit da Mãe Paulistana, e também lençoizinhos, e cobertorezinhos já velhinhos mas muito gostosos.
Infelizmente, me provou que fazer "sua parte e mais um super-mais-um-pouco", ainda não basta. Danielle, teve um parto rápido, mas descobriu que está com um nódulo enraizado no útero. Após o parto teve uma hemorragia e perdeu muito sangue.
O que pensar quando jovens mulheres, da mesma idade que eu, não possuem condições nem de ter um absorvente para usar no pós-parto? Isso em São Paulo, a cerca de 500 metros co Colégio Arquideocesano, cuja mensalidade custa R$ 1.000.
O que fazer, ao ver milhares de bebês sem nenhuma pessoa do outro lado, esperando para o horário da visita? O pai ainda não foi ver a bebê, e mais ninguém foi, além de mim - nem a própria mãe dela.
Danielle pediu que eu entregasse aos seus dois filhos uma sacolinha com doces dada pelo Amaparo para as mães que ganharam bebê. Eles ficaram super-felizes.
Amanhã ela terá alta-médica. Disse que está assustada, e que não sabe como será o futuro. Mas, diante de todas as dificuldades que viu lá, Danielle disse que se sentia abençoada, por não passar frio, por termos conseguido roupas boas, por ajudarmos com alimentação...
Desenhamos a maozinha da Lorrane em um papel, vou tentar scanear hoje na UNESP e postar aqui.
Fico feliz pelo retorno que tive, um em especial.Ontem meu pai, deixou 3 sacolas de roupa de inverno para Danielle. Havia também tolhas de banho e meias. É claro que se não fosse por esse blog, eu não teria oportunidade de sensibilizar tanta gente. E não conseguiria tocar aqueles que estão bem perto de mim, e geralmente não ouvem o que eu tenho a dizer. Por isso, enfatizo: O texto é vivo, e as palavras são poderosas, porque são digeridas com tempo.
Danielle manda beijos,
Maio, 11. Dias das mães 2008
Havia parado de postar por alguns motivos. O primeiro foi o pedido da própria Danielle, pois toda vez que postamos alguma coisa, tecnicamente, ela está ao meu lado.E mesmo, nos posts curtos, há uma longa conversa para decidimos como e o que transmitir. Ou seja, eu sou um mero objeto.
Nas últimas semanas, Danielle estava exausta por causa do final da gravidez, e, houve um agravante: a problemática das contas de energia elétrica com a AES. Fora isso, sua patroa, quer que ela retorne ao trabalho na semana seguinte do parto. Aliás, escreveríamos hoje, agora, sobre isso, se ela não estivesse, nesse momento, em trabalho de parto no Amparo Maternal.
Há cerca de 3 horas levei Danielle até a maternidade gratuíta. Ela ficará lá até a Lorane nascer, provavelmente amanhã às 6hs. O parto será normal. Descobri muitas coisas hoje, durante a 1 hora de espera. São muitas mães-menininhas, mulheres com sonhos e muita luta. Vozes escondidas além do Santa Catarina, da Promatre, do Eisten. São a maioria.
Mulheres que estão abrigadas lá pois não possuem casa, mulheres que tentaram vários hospitais, mulheres em trabalho de parto transferidas de hospitais do Capão Redondo. Um cenário sem enfermeiras-modelo, enfeites e ramalhetes enormes, sem baby-store com roupinhas carissímas.
Assinar como sua responsável legal para a internação não foi algo tão simples, psicologicamente. Menos ainda foi entrar no lugar em que ela está agora, e ver outras mães, e imaginar as possivéis histórias. Eu chorei, chorei muito.
O Amparo Maternal é um hospital muito bom, super-limpo, as obstetrizes atenciosas. Quando cheguei no quarto em que ela está com mais duas acompanhantes, Danielle tomava chá mate com limão, bem quentinho, e comia um lanche de pão-francês, manteiga e mussarela. Elas estavam conversando...Eu teria um filho lá, sem a menor sombra de dúvidas.
Uma das coisas que Danielle pediu foi para eu comunicar o pai da criança e que também postasse sobre.
Durante todo esse período, eu Maira, passei por uma fase de sublimação. Ouvindo muitas pessoas dizer que o que estou fazendo é desnecessário, que ela não presta, que vai arrumar mais filhos, que não adianta. Do outro lado, eu pensava no mundo. Em como ele está, e o que será dessa menina-do-Dia-das-Mães. Também um menina-presente-de- aniversário *para mim. Estou psicologicamente abalada, realmente bem confusa. Não consigo ser imparcial. Não sei se gostaria.
Gostaríamos muito, se alguns dos leitores desse blog quisessem visitá-la no Hospital. Quem quiser, é só falar. Será um prazer!
Desejo força para essa menina que virá ao mundo. Ela já é uma sobrevivente.
Desejo, também, coragem para todos nós, que podemos mudar alguma coisa, porque alguma precisa ser mudada. (Óbvio!)
Gostaria de não ter criado esse blog para tal finalidade, espero que daqui há 18 anos, o desfeixe seja positivo.
Abraços,
Maira
meu email - mairabegalli@gmail.com
twitter/mairabegalli
entrevista com tim cahill da amnesty internacional sobre o relatório publicado pela organização sobre violência urbana e mulheres no brasil
relatório da amnesty internacional publicado em abril de 2008 sobre as histórias muitas vezes ignoradas das mulheres que vivem, cuidam dos seus filhos e lutam pela justiça nas favelas, e como a violência urbana as afecta
A série que deu aos jogadores a liberdade de atirar em policiais e de chamarem os serviços de prostitutas, que depois podiam ser espancadas, agora acrescenta também embriaguez ao volante e danças eróticas ao seu repertório.
A chamada profissão mais antiga do mundo está no centro do Bitchmaps, projeto que une os endereços do fórum de um enorme guia on-line de garotas de programas ao Google Maps.
artigo do IPS (inglês) sobre o 'investimento' que as mulheres brasileiras fazem no próprio corpo, comentando novo livro da miriam goldenberg, 'o corpo como capital'
"Não há dúvida que as tecnologias de comunicação móvel estão permitindo a adolescentes do Oriente Médio driblar normas culturais ao provê-los com acesso a canais privados de comunicação."
post da danah boyd comentando artigo que saiu recentemente numa revista acadêmica sobre meninas na cisjordânia que recebem celulares dos namorados para se comunicar escondidos, só que os meninos só permitem o uso do celular para falar com eles.
Uma mulher na Arábia Saudita foi morta pelo pai por ter usado o chat no Facebook para conversar com um homem. O artigo tb diz que as mulheres no país geralmente usam pseudónimos e colocam desenhos no lugar de fotos no seu perifl no site de relacionamen
São Paulo, 7 de abril de 2008
Na madrugada de ontem, Danielle começou a ter cólicas e percebeu que estava perdendo líquido. Achou que sua bolsa tivesse rompido, mas como não possui telefone em sua casa, nem quem a levasse ao hospital, esperou o amanhecer para ver o que aconteceria.
Pela manhã foi até o Pronto Socorro (AMA) proxímo da sua casa. Porém, não pode ser atendida, já que lá não há aparelhagem necessária para exames de emergência.
Membros da equipe do AMA telefonaram para o pai da bebê, para que ele a acompanhasse até o hospital. Ele disse que não poderia.
Danielle foi indicada a tomar um Táxi e seguir até o Amparo Maternal. Ao chegar, foi submetida a alguns exames que constataram apenas um "alarme falso". Os médicos consideraram que a gestação dificilmente chegará até o final de maio (quando completará 40 semanas)
youtube é criticado por deputados ingleses sobre como lida com conteúdo danoso
danah boyd escreve sobre os 10 anos do projeto v-day contra a violência contra as mulheres, conectado com a peça os monólogos da vagina e fala da contribuição dela no lado tech
Um novo jogo online que encoraja meninas a colocar suas bonecas virtuais de dieta e a levá-las a uma clínica para fazer cirurgias plásticas está provocando revolta no Reino Unido.
artigo sobre críticas na inglaterra a um jogo online onde meninas são incentivadas a "comprar" cirurgia plástica para suas bonecas virtuais
Ontem, 17 de março, Danielle teve um dia repleto de atividades.
Pela manhã foi fazer um exame, pois há uma grande probabilidade de sua infecção ter voltado - porém talvez não seja isso, as dores podem ser resultado do esforço que faz em seu trabalho.
Sua filha nascerá daqui há 2 meses. O quarto dos fundos melhorou bastante após a reforma, mas ainda continua cheio de umidade e bolor. Ela e sua mãe vão colocar mais uma pessoa dentro da casa, que alugará um quarto para que possam ter mais R$ 150 mensais.
Ou seja, sua mãe Nadja, seus dois filhos, a menina e Danielle irão morar em um quatro pequeno.
Ontem, também, Danielle foi convidada para participar do debate sobre aborto, na Cásper Líbero. Em uma experiência única, Danielle teve voz para relatar as coisas que sofreu e o que sente.
Ao final da atividade eu mostrei as instalações da TV Gazeta e da Rádio para ela. No caminho visitamos o Jardim da Casa das Rosas.
Hoje, a vida de Dabielle voltou ao normal
artigo em inglês sobre experiências trans nos estados unidos, com destaque para universidades